Uma oportunidade de 4,4 mil milhões de euros que quase ninguém está a aproveitar
Em 2025, os emigrantes portugueses enviaram para Portugal 4.387,67 milhões de euros, segundo o Banco de Portugal. É o valor mais alto de sempre, e o sétimo ano consecutivo de recordes.
No mesmo ano, os emigrantes portugueses compraram 2.024 casas em Portugal. Onze por cento menos do que em 2024, segundo o INE.
Guarde esses dois números lado a lado, porque é ali que está o negócio. O dinheiro continua a entrar. Deixou de ir para o mesmo sítio. Quem perceber para onde foi, tem um mercado à frente.
Primeiro, o tamanho real do mercado
Há cerca de 2,1 milhões de emigrantes portugueses, o equivalente a 21% da população residente, segundo o Observatório da Emigração. Saem cerca de 70 mil por ano.
As remessas dizem onde estão os que têm capacidade financeira:
| Origem | Remessas em 2025 |
|---|---|
| França | 1.211,5 M€ |
| Suíça | 1.122,9 M€ |
| PALOP | 283,0 M€ |
| Total | 4.387,7 M€ |
França e Suíça sozinhas valem mais de metade do total. Se está a pensar em campanhas, é aqui que começa, e não numa segmentação genérica de "portugueses no estrangeiro".
Repare também na troca de liderança: em 2024 a Suíça enviava mais, em 2025 passou a ser França. Estes mercados mexem-se.
Porque é que a casa deixou de ser o produto
Os preços da habitação subiram 17,6% em 2025, o maior aumento de sempre segundo o INE. A conta deixou de fechar, e a compra por não residentes caiu em toda a linha, não só entre emigrantes.
Mas a intenção não desapareceu com o preço. Foi realocada. Quem não compra a casa nova, arranja a que já tem. E a maioria dos emigrantes tem casa em Portugal, muitas vezes herdada, muitas vezes parada há anos.
Isto reposiciona setores inteiros. Deixa de ser mediação imobiliária e passa a ser remodelação, telhados, caixilharia, climatização, mobiliário, jardinagem, alarmes, gestão de arrendamento em ausência. Serviços que se vendem melhor a quem já é proprietário do que a quem está a comprar.
2026 tem uma data marcada a lápis vermelho
Este é o ponto que quase nenhum negócio local tem no radar.
O regime fiscal dos ex-residentes, o que se conhece por Programa Regressar, exclui de tributação 50% dos rendimentos do trabalho até 250 mil euros anuais, durante cinco anos. Está previsto no artigo 12.º-A do Código do IRS e aplica-se a quem se torne residente fiscal em Portugal até 31 de dezembro de 2026.
Depois disso, nada está garantido. O programa do atual Governo anuncia um futuro "Programa Voltar", mas esse não foi aprovado em Orçamento do Estado e não está em vigor.
Ou seja, há uma janela a fechar e um universo grande de pessoas a decidir dentro dela. No primeiro semestre de 2025 o programa bateu recordes, com mais de 36 mil emigrantes abrangidos e uma média de 405 processos por mês. As candidaturas chegam de 116 países, lideradas por Suíça, França e Reino Unido. E o perfil interessa: mais de 73% tem entre 25 e 44 anos, e um terço destes tem formação superior.
Não são reformados a voltar para a aldeia. São famílias em idade ativa, com poder de compra, a montar uma vida inteira em Portugal em poucos meses.
Quem regressa não compra um serviço, compra um pacote
E aí abre-se a lista real de oportunidades:
| Fase do regresso | O que é preciso |
|---|---|
| Decisão | Contabilista, apoio fiscal, simulação de rendimento |
| Instalação | Mediação, crédito, obras, mobiliário, energia, telecomunicações |
| Família | Escola, creche, médico de família, clínica dentária, ginásio |
| Rotina | Automóvel, seguros, veterinário, apoio a pais idosos |
Cada linha desta tabela é um negócio em Braga que hoje não sabe que este cliente existe.
E quem não regressa consome à distância
O segundo mercado, muito maior, é o de quem fica e vem de férias. Aqui a regra é simples: vale a pena tudo o que é significativamente mais caro no país onde vivem.
A saúde é o caso óbvio. Tratamentos dentários em Portugal são apontados como 60 a 70% mais baratos do que no Reino Unido, em França ou na Suíça. Foi exatamente por aí que construímos uma estratégia de Meta e Google Ads para uma clínica dentária de Braga, a segmentar emigrantes na Suíça, no Luxemburgo, na Alemanha e em França para implantes e alinhadores.
A lógica replica-se: oftalmologia, estética, medicina dentária, veterinária, obras, mecânica, fotografia de casamento.
Como encontrar o seu produto, em quatro perguntas
- O que é que custa muito mais caro no país onde eles vivem? Essa diferença é o seu argumento comercial, e não precisa de mais nenhum.
- O que é que obriga a presença física em Portugal? Papelada, obras, cuidar dos pais, tratar da casa. Isso não tem concorrência estrangeira.
- Consegue concentrar a entrega em cinco a dez dias? Se não conseguir, não serve para quem vem duas semanas. Avaliação remota primeiro, execução presencial depois.
- Consegue dar preço fechado antes da viagem? Sem isso não há decisão, porque ninguém compra um avião e um orçamento em aberto ao mesmo tempo.
O erro que quase todos cometem
Anunciar em agosto, em Portugal, para quem já cá está.
A decisão é tomada em maio e junho, no país onde a pessoa mora, à mesa da cozinha, quando se marcam as férias. O anúncio tem de aparecer ali, em português, segmentado por país de residência, com preço e datas.
Em agosto já não está a vender. Está a atender.
Como é que a Digito entra nisto
Ler o mercado é a parte fácil. A parte difícil é chegar a tempo.
Chegar a tempo significa três coisas concretas. Segmentar por país de residência, e não por interesses vagos, porque quem vive em Genebra não responde ao mesmo anúncio de quem vive em Toulouse. Falar português a quem passou trinta anos a trabalhar em francês, mas continua a tratar de dinheiro na sua língua. E ter a campanha no ar em maio, quando as férias se marcam, não em agosto, quando já estão cá.
É isso que construímos na Digito: campanhas de tráfego pago segmentadas por país, páginas de destino feitas para converter à distância com preço fechado e marcação remota, e a medição que lhe diz quanto custou cada marcação, não quantos cliques teve.
Se o seu negócio aparece em alguma linha das tabelas deste artigo, vamos falar sobre isso. A janela de dezembro não se repete.
Fontes
- Banco de Portugal, estatísticas de remessas de emigrantes, valores de 2025
- INE, estatísticas de compra e venda de alojamentos familiares e evolução de preços, 2025
- Observatório da Emigração, relatório Emigração Portuguesa
- Código do IRS, artigo 12.º-A, regime fiscal aplicável a ex-residentes
- Programa Regressar e medida de apoio ao regresso MAREP, executada pelo IEFP