Shopify ou loja própria: a decisão certa depende de três números seus

Esta é a pergunta mais frequente de quem vai vender online em Portugal, e a resposta honesta é que ambas as opções funcionam. Há lojas de sucesso nas duas.

O que muda é onde vai o seu dinheiro, o que acontece se quiser mudar, e como se comportam à medida que o volume cresce.

E há um pormenor específico do mercado português que altera esta conta de forma significativa. Chegamos lá.

As duas opções, em português corrente

Shopify é uma plataforma por subscrição. Paga uma mensalidade, e em troca alguém trata do alojamento, da segurança, das atualizações e do funcionamento do checkout. Monta a loja a partir de temas e amplia com aplicações. Os planos começam à volta dos 27 a 29 euros por mês.

Loja própria significa que o software vive num alojamento seu. Em Portugal, a escolha mais comum é o WooCommerce, que é gratuito e de código aberto, sobre WordPress. Paga o desenvolvimento e o alojamento, não paga mensalidade à plataforma, e a responsabilidade de manter tudo a funcionar é sua ou de quem contratar.

O pormenor português que muda a conta

Aqui está a informação que quase nenhum artigo internacional lhe vai dar.

O sistema de pagamentos do Shopify não inclui MB WAY nem referências Multibanco de forma nativa. Para os oferecer, tem de instalar uma aplicação de um fornecedor português como a ifthenpay ou a Eupago.

E há um segundo efeito, que é o que apanha as pessoas: quando usa um processador de pagamentos que não é o do Shopify, o Shopify cobra uma percentagem adicional sobre cada venda, que varia consoante o plano.

Ou seja, numa loja portuguesa que queira oferecer os meios de pagamento que os portugueses efetivamente usam, o custo por venda no Shopify tende a ser a mensalidade, mais a comissão do fornecedor de pagamentos, mais a taxa adicional da plataforma.

No WooCommerce, os mesmos fornecedores têm módulos oficiais e não existe taxa adicional de plataforma. Paga a comissão do fornecedor de pagamentos e mais nada.

Isto não invalida o Shopify. Mas significa que a comparação de custos tem de ser feita com os três valores, e não apenas com a mensalidade.

Os três números que decidem

Antes de escolher, apure estes três valores do seu negócio.

O seu volume mensal de vendas. Uma taxa adicional de um ponto percentual é irrelevante em dois mil euros por mês e é dinheiro a sério em cinquenta mil. Quanto maior o volume, mais pesa o custo por transação e mais atrativa fica a loja própria.

A complexidade do que vende. Catálogo simples, produtos com variantes normais, envio convencional? O Shopify resolve rapidamente. Produtos configuráveis, preços por cliente, integração com um ERP ou com um sistema de gestão que já tem? A loja própria dá liberdade que a outra não dá.

A capacidade técnica de que dispõe. Isto é o mais subestimado. Uma loja própria exige alguém responsável por atualizações, cópias de segurança e problemas às três da manhã. Se não tem essa pessoa nem quer contratar manutenção, a mensalidade do Shopify está a comprar-lhe tranquilidade, e isso tem valor real.

Onde cada uma ganha

Situação Escolha que costuma servir melhor
Quer lançar depressa e validar a ideia Shopify
Catálogo simples, produtos físicos, envio normal Shopify
Não tem ninguém para manutenção técnica Shopify
Volume alto e margens apertadas Loja própria
Precisa de integrar com ERP ou software interno Loja própria
Quer controlo total sobre o checkout e os dados Loja própria
Vende serviços, subscrições ou produtos digitais Depende, avaliar caso a caso

As duas perguntas que ninguém faz a tempo

De quem são os dados dos clientes? Numa loja própria estão numa base de dados sua, que pode exportar, analisar e cruzar com o resto do negócio. Numa plataforma, exporta o que a plataforma deixar exportar.

Quanto custa mudar daqui a três anos? Sair de uma plataforma para outra implica migrar produtos, clientes, encomendas e endereços de páginas, e recuperar o posicionamento nos motores de busca. Não é impossível, mas é um projeto. Vale a pena perguntar isto antes de escolher, e não depois.

Uma via intermédia que resulta bem

Para quem ainda não sabe se o produto vende, existe um caminho que evita a decisão prematura.

Comece com um site de catálogo, sem checkout, com pedidos por formulário ou por mensagem. Custa uma fração, valida a procura real, e permite perceber que produtos se vendem e que perguntas os clientes fazem.

Com esses dados na mão, a escolha entre plataforma e loja própria deixa de ser uma aposta e passa a ser uma conta.

Uma conta com números redondos

Para tornar isto concreto, imagine uma loja com dez mil euros de vendas por mês e um valor médio de encomenda de cinquenta euros, ou seja, duzentas encomendas.

No Shopify, paga a mensalidade do plano, mais a comissão do fornecedor português de pagamentos sobre cada uma das duzentas transações, mais a taxa adicional da plataforma por o processador ser externo, aplicada sobre os dez mil euros.

No WooCommerce, paga alojamento, eventual manutenção contratada, e a comissão do fornecedor sobre as mesmas duzentas transações. A taxa adicional de plataforma não existe.

A conclusão não é universal, e é por isso que tem de fazer a conta com os seus valores. Em volumes baixos, a diferença anual costuma ser pequena e a conveniência do Shopify compensa. À medida que o volume sobe, a percentagem adicional cresce em linha reta enquanto os custos fixos da loja própria ficam praticamente iguais, e há um ponto em que a balança vira.

Faça a projeção para o volume que espera ter daqui a dois anos, e não para o de hoje. É essa a decisão que está a tomar.

O que costuma correr mal em cada uma

No Shopify, o problema mais frequente é a acumulação de aplicações. Cada funcionalidade em falta resolve-se instalando mais uma, cada uma com a sua mensalidade, e ao fim de um ano a fatura mensal já não se parece nada com o plano inicial. Vale a pena listar à partida tudo o que precisa e verificar o que exige aplicação paga.

No WooCommerce, o problema mais frequente é o abandono. Um site que ninguém atualiza durante dois anos torna-se lento, vulnerável, e mais caro de recuperar do que teria sido mantê-lo. Se escolher esta via, contrate manutenção desde o primeiro dia, mesmo que mínima.

Ambos os problemas são previsíveis, e é por isso que vale a pena falar deles antes de decidir.

Como a Digito ajuda

Trabalhamos com as duas, e é precisamente por isso que conseguimos aconselhar sem agenda.

Fazemos a conta com os seus números: volume previsto, comissões reais dos fornecedores de pagamento portugueses, mensalidades e custo de manutenção, para o primeiro ano e para o terceiro. Muitas vezes o resultado contraria a expectativa inicial do cliente, nos dois sentidos.

Depois construímos a que escolher, integramos MB WAY e Multibanco em qualquer das opções, e ligamos ao software de faturação para não ficar com trabalho manual todos os dias.

Se está indeciso entre as duas, fazemos a conta consigo antes de haver qualquer compromisso.

Fontes